domingo, 16 de março de 2014
Quem não senti, pensa que vence.
O texto não é meu, mas descreve perfeitamente alguém que passou pela minha vida se gabando pela escolha de não sentir. Descreve a relação que estabelecemos. Descreve a minha tentativa de resgatá-lo do mundo frio e sem graça que ele escolheu. A minha frustração por não conseguir. E, por fim, descreve a minha certeza de quem realmente perdeu.
"Ele escolheu não sentir. Simples assim, frio assim, como quem escolhe uma roupa de manhã. E ele sempre achou isso o máximo, certo de que era muito forte e que ser completamente racional era motivo pra medalhas. De longe eu pude ver ele atrapalhado entre os escudos, todo aquele teatro podia convencer muita gente, mas eu sempre soube que sentir não era uma opção e que tinha muito por baixo de toda aquela capa mal remendada. E tinha mesmo, uma pessoa linda, eu juro. Bem, bem escondida, trancada debaixo da cama, como aqueles monstros da infância. Acho triste, covarde e solitário. Fraqueza demais deixar uma pessoa te matar por dentro. Ele se via o herói de Tróia, eu via um guerreiro medroso abaixando a espada pra primeira bandida. E, por coincidência, teste ou algum tipo de missão, sou casa pra esse tipo de gente que se embaralha toda com essa coisa de sentir e acha mais prático ou cômodo se bloquear. E eu, toda atrapalhada por natureza, tenho que ficar ensinando, arrumando, resgatando, me bagunçando. Enfim, sou jogada no campo de batalha, sem aviso, sem nem que eu perceba. Só que, instintivamente, não sou do tipo que recua, meu ataque não é agressivo e isso, por incrível que pareça, assusta bem mais que uma estratégia friamente calculada ou uma fuga de mestre. Quem vive se escondendo atrás de uma máscara não suporta a ideia de alguém descrevendo e percebendo cada gesto por trás, tudo que é tão rigorosamente protegido e escondido. Tem gente que não quer ser resgatada e eu sou livre demais pra viver com alguém prisioneiro. Tecnicamente, não ganhei a batalha. Sinceramente, não fui eu que perdi." (Maecella Fernanda)
http://eusoumeigaporra.blogspot.com.br/2014/03/nao-era-amor-era-roma.html?utm_source=feedburner&utm_medium=feed&utm_campaign=Feed:+EuTenhoUmLadoDoceQueQuaseNingumV+(Eu+tenho+um+lado+doce+que+quase+ningu%C3%A9m+v%C3%AA)
"Ele escolheu não sentir. Simples assim, frio assim, como quem escolhe uma roupa de manhã. E ele sempre achou isso o máximo, certo de que era muito forte e que ser completamente racional era motivo pra medalhas. De longe eu pude ver ele atrapalhado entre os escudos, todo aquele teatro podia convencer muita gente, mas eu sempre soube que sentir não era uma opção e que tinha muito por baixo de toda aquela capa mal remendada. E tinha mesmo, uma pessoa linda, eu juro. Bem, bem escondida, trancada debaixo da cama, como aqueles monstros da infância. Acho triste, covarde e solitário. Fraqueza demais deixar uma pessoa te matar por dentro. Ele se via o herói de Tróia, eu via um guerreiro medroso abaixando a espada pra primeira bandida. E, por coincidência, teste ou algum tipo de missão, sou casa pra esse tipo de gente que se embaralha toda com essa coisa de sentir e acha mais prático ou cômodo se bloquear. E eu, toda atrapalhada por natureza, tenho que ficar ensinando, arrumando, resgatando, me bagunçando. Enfim, sou jogada no campo de batalha, sem aviso, sem nem que eu perceba. Só que, instintivamente, não sou do tipo que recua, meu ataque não é agressivo e isso, por incrível que pareça, assusta bem mais que uma estratégia friamente calculada ou uma fuga de mestre. Quem vive se escondendo atrás de uma máscara não suporta a ideia de alguém descrevendo e percebendo cada gesto por trás, tudo que é tão rigorosamente protegido e escondido. Tem gente que não quer ser resgatada e eu sou livre demais pra viver com alguém prisioneiro. Tecnicamente, não ganhei a batalha. Sinceramente, não fui eu que perdi." (Maecella Fernanda)
http://eusoumeigaporra.blogspot.com.br/2014/03/nao-era-amor-era-roma.html?utm_source=feedburner&utm_medium=feed&utm_campaign=Feed:+EuTenhoUmLadoDoceQueQuaseNingumV+(Eu+tenho+um+lado+doce+que+quase+ningu%C3%A9m+v%C3%AA)
domingo, 12 de janeiro de 2014
Jogo que não sei jogar :p
Então
é isso? Essa é a verdade?
Todo
homem trai e toda mulher finge que não sabe disso para poder ter um
relacionamento sério?
E
os relacionamentos nada têm haver com amor, companheirismo, fidelidade e
paixão? Na verdade não passam de um jogo onde o vencedor é aquele que consegue
fingir por mais tempo? É isso mesmo, Zé?
Se
for assim Zé, pode espalhar por aí que não aprendi a jogar esse jogo e nem
quero aprender, as regras dele vão de encontro com as minhas próprias regras,
não dá para conciliar. Prezo demais meus sentimentos para fazer deles simples
peões de tabuleiro, aprendi a jogar com mimicas, com baralho, com desenhos, com
palavras, com músicas... agora com o que vem do meu coração, não, esse jogo não
faz parte do meu repertório de diversões, Zé.
Isso
deve ser jogo pra gente muito mais esperta do que eu, essa gente que não se
importa em magoar ou em transformar os outros nos seus peões, dessa gente que
faz da própria vida um tabuleiro com peças a serem manipuladas friamente. Esse
tipo de gente que não sofre por ninguém porque aprendeu desde cedo que
sentimento só serve para jogar e causar diversão, gente esperta que nunca vai
saber o que é uma decepção ou... uma paixão.
Eu não tenho essas espertezas, se as coisas forem assim, então eu sou
burra, Zé!
Já
tenho certeza que, mesmo que eu entre nesse jogo sem querer, dele nunca vou
sair vencedora. Sempre vou ter como resultado um coração partido, Zé. Mas não
me revolto, se as regras do jogo são essas eu prefiro é perder, tem vitórias que
nos tiram a paz, e eu quero sempre a minha paz aqui comigo. E quem sabe um dia
eu encontre algum burro que nem eu Zé, que também não aprendeu as regras desse
jogo. Aí a gente não vai jogar nada, mas vamos ganhar juntos!
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terça-feira, 31 de dezembro de 2013
Bye bye 2013 :*
Diferente. Louco. Intenso. Forte. Emocionante. Gratidão.
Essas são algumas das palavras que melhor descrevem meu 2013.
Um ano muito diferente de todos, mudei minhas prioridades, ganhei mais responsabilidades, trabalhei onde nunca achei que trabalharia, fiz coisas diferentes de quem eu achava que era, me descobri diferente de quem sempre achei que fosse!
Deixei de lado coisas que antes julgava tão importantes, amanheci várias vezes com os amigos, peguei a estrada sozinha, assisti um parto normal, acreditei na sorte e me joguei sem paraquedas, me apaixonei, chamei pessoas que não conhecia direito de amigas, fiz a terceira tatuagem... Um pouco de loucura que, na maior parte, me fez bem!
Gostei de verdade de alguém , me magoei de verdade também, aproveitei cada minuto com meus amigos, sofri por medo de perder alguém que amo, fiquei imensamente feliz e grata a Deus por não ter perdido, fui feliz quando era pra ser, fui triste quando era pra ser, transbordei de tanto sentir... Intensidade que me acompanha!
Aguentei coisas sozinha, me senti sozinha algumas vezes, trabalhei bastante, não me troquei coisas que não valiam minha real preocupação, afastei de mim quem não me fazia bem, diante do pior momento tive uma fé que nem sabia que tava dentro de mim, dei voltas por cima, encarei dois empregos novos em um único ano... 2013 foi forte e eu também!
Emoção desde o inicio, com as tristezas assistidas pela televisão e com as alegrias vividas. Aprendi tanto com crianças realmente especiais com as quais trabalhei. Reencontrei amigas, encontrei amigos, vi uma criança nascer e fui escolhida pra madrinha, testemunhei um milagre na minha família, comprei meu carro, recebi o resultado positivo do concurso que havia feito ainda em 2012, vi amigas casarem e iniciarem uma nova história linda, amigas engravidaram... Foram muitas, muitas emoções mesmo!
Me tornei finalmente independente, o que não significa que não precise mais da minha família, pois deles sempre vou querer o afeto! Conheci pessoas maravilhosas que quero sempre por perto, conheci pessoas não tão legais que me ensinaram o valor que os amigos de verdade têm. Tive momentos únicos, dancei, cantei, sorri, chorei, orei, apreciei o nascer e o pôr-do-sol, aprendi mais sobre mim... apesar de alguns momentos difíceis, fui tão feliz que só posso ser grata, grata à Deus, grata ao universo, grata às pessoas que passaram por mim, grata à vida. 2013 tem toda a minha gratidão! <3 div="">
Que venha 2014, e que seja lindo, ainda mais!
3>quarta-feira, 4 de dezembro de 2013
Sobre os ciclos...
De tudo o que eu deixei de escrever e agora necessito deixar aqui, o mais urgente é sobre as emoções contraditórias que senti hoje. Então vamos lá:
A vida é cíclica.
Hoje, mais do que nunca, tive essa certeza.
E por mais que já tenhamos encerrado diversos ciclos, essa experiência jamais passará por nós de forma indiferente ou somos nós que jamais passaremos por ela com indiferença. Dizer adeus à pessoas, lugares ou fases da nossa vida é algo que mistura dentro de nós sentimentos tão contraditórios que, às vezes, nem parecem caber no mesmo peito. Mas cabem.
Pelo menos foi assim que me senti hoje no meu último dia de trabalho no Centro de Educação Especial, lugar onde nunca almejei trabalhar, mas (talvez por força do destino) trabalhei durante pouco mais de dez meses. Atendendo pela ultima vez alguns dos meus pacientes (que só podiam ser chamados de estudantes) vi um filme passando na minha frente.
O filme mostrou desde o momento em que recebi a ligação chamando para este trabalho, passando pela agonia de recolher todos os documentos necessários em uma manhã, a mudança de cidade rápida e inesperada, a alegria e ajuda inestimável de pessoas que me amam e torcem por mim... o primeiro dia de trabalho naquele ambiente que me era totalmente estranho e passando a atuar em um mundo que me era tão distante. Lembro perfeitamente das sensações que tive diante de cada nova criança que chegava para o atendimento (medo, surpresa, carinho, simpatia, impotência, vontade de fazer mais), fui apresentada na prática a um mundo que, para mim, era tão desconhecido.
Crianças com altismo, atraso no desenvolvimento, síndrome de Down, aspeger, paralisias, dificuldades de aprendizagem, TDAH, problemas de comportamento e tantos outros diagnósticos. Foi com crianças assim que convivi durante esse tempo e vi nelas muito mais do que um diagnóstico, muitas vezes me vi como uma aprendiz em frente a elas, outras como a professora. o certo é que serei eternamente grata por esta experiência, por esta aprendizagem e por ter podido, através da psicologia, contribuir para a melhora destas crianças que são especiais sim, cada uma de um jeito único.
E hoje este ciclo se encerrou, eu sempre soube que ele não duraria mais que um ano e sei que o que está por vir tende a ser melhor. Já aprendi que alguns ciclos precisam se fechar para que outros melhores comecem e mesmo tendo a certeza de que quero muito iniciar uma nova fase profissional não foi sem choro que assinei meu termo de desligamento e abracei carinhosamente os agora ex-colegas de trabalho.
E como uma colega me disse ao se despedir de mim: "Chegou a hora de ajudar outras pessoas!"
A vida é cíclica.
Hoje, mais do que nunca, tive essa certeza.
E por mais que já tenhamos encerrado diversos ciclos, essa experiência jamais passará por nós de forma indiferente ou somos nós que jamais passaremos por ela com indiferença. Dizer adeus à pessoas, lugares ou fases da nossa vida é algo que mistura dentro de nós sentimentos tão contraditórios que, às vezes, nem parecem caber no mesmo peito. Mas cabem.
Pelo menos foi assim que me senti hoje no meu último dia de trabalho no Centro de Educação Especial, lugar onde nunca almejei trabalhar, mas (talvez por força do destino) trabalhei durante pouco mais de dez meses. Atendendo pela ultima vez alguns dos meus pacientes (que só podiam ser chamados de estudantes) vi um filme passando na minha frente.
O filme mostrou desde o momento em que recebi a ligação chamando para este trabalho, passando pela agonia de recolher todos os documentos necessários em uma manhã, a mudança de cidade rápida e inesperada, a alegria e ajuda inestimável de pessoas que me amam e torcem por mim... o primeiro dia de trabalho naquele ambiente que me era totalmente estranho e passando a atuar em um mundo que me era tão distante. Lembro perfeitamente das sensações que tive diante de cada nova criança que chegava para o atendimento (medo, surpresa, carinho, simpatia, impotência, vontade de fazer mais), fui apresentada na prática a um mundo que, para mim, era tão desconhecido.
Crianças com altismo, atraso no desenvolvimento, síndrome de Down, aspeger, paralisias, dificuldades de aprendizagem, TDAH, problemas de comportamento e tantos outros diagnósticos. Foi com crianças assim que convivi durante esse tempo e vi nelas muito mais do que um diagnóstico, muitas vezes me vi como uma aprendiz em frente a elas, outras como a professora. o certo é que serei eternamente grata por esta experiência, por esta aprendizagem e por ter podido, através da psicologia, contribuir para a melhora destas crianças que são especiais sim, cada uma de um jeito único.
E hoje este ciclo se encerrou, eu sempre soube que ele não duraria mais que um ano e sei que o que está por vir tende a ser melhor. Já aprendi que alguns ciclos precisam se fechar para que outros melhores comecem e mesmo tendo a certeza de que quero muito iniciar uma nova fase profissional não foi sem choro que assinei meu termo de desligamento e abracei carinhosamente os agora ex-colegas de trabalho.
E como uma colega me disse ao se despedir de mim: "Chegou a hora de ajudar outras pessoas!"
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quinta-feira, 26 de setembro de 2013
segunda-feira, 16 de setembro de 2013
Questão de escolha...
Sempre tive a ideia de que nós, seres humanos, podemos escolher o papel que ocupamos na vida do outro. Podemos optar se vamos significar alegrias ou tristezas para alguém, se vamos ser a lembrança que dói ou a presença que conforta... Temos essa escolha em nossas mãos! Sempre pensei assim, e a cada dia vou tendo mais certeza disso... Nas últimas semanas estou tendo que ver alguém que, para mim, era sinônimo de sorriso nos lábios e paz no coração se transformar em alguém que me lembra mágoas e hipocrisia. Fiz de tudo para que isso não acontecesse, pois uma coisa que prezo são os sentimentos bons que tenho pelos outros e os bons sentimentos que recebo, mas, infelizmente, esta escolha não é minha... Acho triste que alguém que tinha toda a minha admiração e todo o meu carinho aja de forma a perder isso, mas como disse antes: cada qual escolhe o papel que quer ocupar na vida do outro!
Eu vou seguir como sempre segui... uma mágoa mais aqui dentro, mas muito amor e alegria, e tentando ser a presença ou a lembrança boa na vida de quem me é importante!
Eu vou seguir como sempre segui... uma mágoa mais aqui dentro, mas muito amor e alegria, e tentando ser a presença ou a lembrança boa na vida de quem me é importante!
segunda-feira, 9 de setembro de 2013
Só sei ser assim
"Ser sensível nesse mundo requer muita coragem. Muita. Todo dia. Esse jeito de ouvir além dos olhos, de ver além dos ouvidos, de sentir a textura do sentimento alheio tão clara no próprio coração e tantas vezes até doer ou sorrir junto com toda sinceridade.
Essa sensação, de vez em quando, de ser estrangeiro e não saber falar o idioma local, de ser meio ET, uma espécie de sobrevivente de uma civilização extinta. Essa intensidade toda em tempo de ternura minguada.
Esse amor tão vívido em terra em que a maioria parece se assustar mais com o afeto do que com a indelicadeza. Esse cuidado espontâneo com os outros. Essa vontade tão pura de que ninguém sofra por nada. Esse melindre de ferir por saber, com nitidez, como dói se sentir ferido.
Ser sensível nesse mundo requer muita coragem. Muita. Todo dia.
Essa saudade, que às vezes faz a alma marejar, de um lugar que não se sabe onde é, mas que existe, é claro que existe. Essa possibilidade de se experimentar a dor, quando a dor chega, com a mesma verdade com que se experimenta a alegria. Essa incapacidade de não se admirar com o encanto grandioso que também mora na sutileza.
Essa vontade de espalhar buquês de sorrisos por aí, porque os sensíveis, por mais que chorem de vez em quando, não deixam adormecer a ideia de um mundo que possa acordar sorrindo.
Pra toda gente. Pra todo ser. Pra toda vida.
Eu até já tentei ser diferente, por medo de doer, mas não tem jeito: só consigo ser igual a mim."
(Ana Jácomo)
Saudades... sempre ela!
Se existe uma única imagem que pode definir muito de mim, a imagem é essa. Olhando para ela eu vejo toda a minha infância passar diante dos meus olhos. Foi nesta casa, brincando de patins sobre essas pedras que, pela primeira vez, eu me senti pertencendo à uma família de verdade. Ouvindo as conversas dos adultos nessa varanda eu aprendi valores como humildade, união e respeito. Brincando com meus primos em cada canto dessa casa enorme eu aprendi sobre a fraternidade, (mesmo não tendo irmãos presentes) e sobre a importância de saber dividir.
Nunca me esqueço do gosto do bolo de fubá com café quentinho que minha tia-avó fazia no final da tarde, horário em que a família toda se reunia para, juntos, compartilhar a simplicidade desse amor tão puro. Hábito que, aliás, até hoje eles preservam. Cidade pequena tem dessas belezas, é mais fácil estar perto de quem amamos.´
Aquela igreja que aparece no fundo da foto, foi ali onde, pela primeira vez, eu ouvi alguém falar sobre Deus e seu amor incondicional por nós, foi onde comecei a aprender e a ter fé. E quem me ensinou foi uma pessoa que, apesar deu não ver há 16 anos, me marcou profundamente, pois transmitia no seu jeito de falar uma ternura que só pode mesmo ser divina. Foi dessa pessoa também que ganhei um dos presentes mais lindos que já tive, me dado de uma forma simples entre muitas lágrimas em uma despedida num fim de tarde, bem aí nessa rampa que aparece na foto: um diário, meu primeiro diário, repleto de palavras lindas dedicadas à mim... foi nele que li, pela primeira vez, um pedacinho da parte mais linda da Bíblia (I Corinthios, 13) que dizia que na vida tudo passa, exceto o amor! Aos nove anos de idade eu comecei a entender isso e até hoje estou tentando entender um pouco mais.
Ah! Como essa foto me desperta saudades! Saudades de quem fui brincando aí e amando essa família que apesar de estar longe, sempre vai ser minha família. Saudades de quem eu poderia ter sido se, há 16 anos atrás, não tivesse vindo morar do outro lado do país. Saudades de um tempo que nunca mais vai voltar porque a vida mudou e nada pode ser igual, saudades de um tempo que mesmo que tenha acontecido há um tempo maior do que a metade da minha vida, me marcou profundamente e sempre vai fazer parte de quem eu sou!
Se tem uma foto que me despertou amor, com certeza é esta!
*Foto da frente da casa da Tia Nadir (minha tia-avó) em Rio Branco do Sul - Paraná.
sexta-feira, 23 de agosto de 2013
Algumas pessoas se destacam para nós. Não há argumento capaz de nos fazer entender exatamente como isso acontece. Porquê dançam conosco com mais leveza nessa coreografia bela, e tantas vezes atrapalhada, dos encontros humanos. Muitas vezes tentamos explicar, em vão, a medida do nosso bem-querer. A doçura de que é feito o olhar que lhes dirigimos. O sentimento que nos move para ajudá-las a despertar um único sorriso.
Não importa quando as encontramos no nosso caminho. Parece que estão na nossa vida desde sempre e que mesmo depois dela permanecerão conosco. É tão rico compartilhar a jornada com elas que nos surpreende lembrar de que houve um tempo em que ainda não sabíamos que existiam. É até possível que tenhamos sentido saudade mesmo antes de conhecê-las. O que sentimos vibra além dos papéis, das afinidades, da roupa de gente que usam. Transcende a forma. Remete à essência. Toca o que a gente não vê. O que não passa. O que é.
Por elas nos sentimos capazes das belezas mais inéditas. Se estão felizes, é como se a festa fosse nossa. Se estão em perigo, o aperto é nosso também. Com elas, o coração da gente descansa. Nós nos sentimos em casa, descalços, vestidos de nós mesmos. O afeto flui com facilidade rara. Somos aceitos, amados, bem-vindos, quando o tempo é de sol e quando o tempo é de chuva. Na expressão das nossas virtudes e na revelação das nossas limitações. Com elas, experimentamos mais nitidamente a dádiva da troca nesse longo caminho de aprendizado do amor.
Não importa quando as encontramos no nosso caminho. Parece que estão na nossa vida desde sempre e que mesmo depois dela permanecerão conosco. É tão rico compartilhar a jornada com elas que nos surpreende lembrar de que houve um tempo em que ainda não sabíamos que existiam. É até possível que tenhamos sentido saudade mesmo antes de conhecê-las. O que sentimos vibra além dos papéis, das afinidades, da roupa de gente que usam. Transcende a forma. Remete à essência. Toca o que a gente não vê. O que não passa. O que é.
Por elas nos sentimos capazes das belezas mais inéditas. Se estão felizes, é como se a festa fosse nossa. Se estão em perigo, o aperto é nosso também. Com elas, o coração da gente descansa. Nós nos sentimos em casa, descalços, vestidos de nós mesmos. O afeto flui com facilidade rara. Somos aceitos, amados, bem-vindos, quando o tempo é de sol e quando o tempo é de chuva. Na expressão das nossas virtudes e na revelação das nossas limitações. Com elas, experimentamos mais nitidamente a dádiva da troca nesse longo caminho de aprendizado do amor.
sexta-feira, 26 de julho de 2013
Palavras
Às vezes penso que meu coração vai explodir por causa dessas palavras que preciso tanto dizer para alguém que insiste em fugir de mim!
segunda-feira, 1 de julho de 2013
Como?
"Não que fosse
impossível, mas como amar alguém que não ouve a mesma canção? Como amar
alguém que não decifra o que há na música, que não entende só a melodia,
que não vê a poesia na letra e se emociona? Como não perceber as
possibilidades de um amor louco ou breve na canção que se descreve? Como
não precisar quando a voz vibra de saudade ou de dor? Não se ama alguém
que não ouve.
Não se
planeja uma vida com alguém que não ouve a mesma canção, não se preocupa
com a poesia, que não a entende, nem a sente, nem a perpetua. Vida sem
poesia, não sobra nada, nem amor para o próximo dia. Não se ama alguém
que não tenha um livro de Lya Luft, um
cd do Chico ou de Maria Bethânia, um quadro na parede e um amor do
passado. Aliás, não se ama alguém sem passado, sem história, sem uma
saudade de alguma coisa que até quando você olha nos seus olhos sente
arder. Quem tem saudade, tem alguma coisa boa que vem desde muito tempo.
Não se ama alguém pronto, alguém preparado, alguém seguro de tudo. Só
se ama alguém que ainda podemos ver crescer, crescer junto com o que
também queremos ser.
Não se entrega um sonho nas mãos de alguém que não ouve a mesma canção, de alguém que não ocupa o teu pensamento todo, e não te retribui em dobro o gesto e o riso. Não se ama alguém que não lê jornais, que não come besteiras, que duvida no toque do telefone. Não se ama alguém que não conhece teu perfume, teu prato e teu lugar preferido. Que não percebe que teu temperamento não é teu signo, que não acredita no que você daria a vida. Não se ama alguém em quem não se confia de olhos fechados e de coração aberto.
Não se ama alguém que não tenha plantas em casa, não use tapete na porta de entrada e não tenha talheres de inúmeras cores. Não se ama alguém que derrete na chuva e se torra no sol. Não se ama alguém que não viaja, que não planeja, que não tenha expectativas, nem que sejam mínimas e tolas. Não se ama quem fala pouco, quem gesticula antes da palavra e que não cante junto com a música.
Não se ama quem nunca quebrou um copo, quem nunca esqueceu as chaves, quem está satisfeito com a cor da sala, quem não tem compromisso, quem perde a hora, quem joga extratos fora, quem se muda toda hora, que não tenha manias, que não acorde com o rosto amassado de manhã. Desconfie se não te olhar nos olhos, se não te der segurança no dar das mãos, se mudar de assunto no domingo de manhã e principalmente, com toda certeza, desconfie, mude, termine se não ouvir a mesma canção."
Não se entrega um sonho nas mãos de alguém que não ouve a mesma canção, de alguém que não ocupa o teu pensamento todo, e não te retribui em dobro o gesto e o riso. Não se ama alguém que não lê jornais, que não come besteiras, que duvida no toque do telefone. Não se ama alguém que não conhece teu perfume, teu prato e teu lugar preferido. Que não percebe que teu temperamento não é teu signo, que não acredita no que você daria a vida. Não se ama alguém em quem não se confia de olhos fechados e de coração aberto.
Não se ama alguém que não tenha plantas em casa, não use tapete na porta de entrada e não tenha talheres de inúmeras cores. Não se ama alguém que derrete na chuva e se torra no sol. Não se ama alguém que não viaja, que não planeja, que não tenha expectativas, nem que sejam mínimas e tolas. Não se ama quem fala pouco, quem gesticula antes da palavra e que não cante junto com a música.
Não se ama quem nunca quebrou um copo, quem nunca esqueceu as chaves, quem está satisfeito com a cor da sala, quem não tem compromisso, quem perde a hora, quem joga extratos fora, quem se muda toda hora, que não tenha manias, que não acorde com o rosto amassado de manhã. Desconfie se não te olhar nos olhos, se não te der segurança no dar das mãos, se mudar de assunto no domingo de manhã e principalmente, com toda certeza, desconfie, mude, termine se não ouvir a mesma canção."
(Cáh Morandi)
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